Clara Nunes
CLARA NUNES
Clara Francisca Nunes Gonçalves nasceu em Cedro, distrito de Paraopeba, hoje cidade de Caetanópolis, Minas Gerais. O pai, Manoel Pereira Araújo (conhecido como Mané Serrador, violeiro e cantador de folia-de-reis) e a mãe, Amélia Gonçalves Nunes.
A menina ficou órfã aos 7 anos de idade e começou a trabalhar como tecelã, aos 13 anos, na Fábrica Cia. Cedro Cachoeira. Tinha uma paixão, herdada do pai Mané Serrador: a música – cresceu ouvindo muitos festejos folclóricos, como folias-de-reis, maracatus, batuques, entre outros.
Em Belo Horizonte, aos 16 anos, conseguiu emprego como operária na Fábrica Renascença. Lá residindo, Clara trabalhava e também cantava na Igreja Católica Renascença e, ao mesmo tempo, ajudada pelos irmãos, concluía o curso normal.
Do coral da igreja para os concursos e festivais foi um pulo, sempre incentivada pelos familiares e conhecidos, que nela viam muito talento e as esperança de tornar-se uma grande cantora.
Com um grande incentivo, ela se inscreveu no concurso A Voz de Ouro ABC; o ano era de 1960, em que foi a vencedora na etapa mineira, cantando a música Serenata do Adeus, de Vinícius de Morais, dando-lhe o direito de representar o estado de MG na final nacional. Na final, realizada na cidade de São Paulo, Clara canta Só Deus, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, e conquista o terceiro lugar. Com isso, ganha um programa na Rádio Inconfidência – Clara Nunes Convida. A partir de então, apresenta-se em casas noturnas da cidade, programas na TV Itacolomi, tendo sido escolhida por três vezes a melhor cantora do ano.
Em 1965, após insistência de amigos, encheu-se de coragem e enfrentou a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. No difícil começo, apresentava-se na TV Continental, no programa de José Messias.
No ano 1966 lançou seu primeiro LP, “A voz adorável de Clara Nunes”, em que interpretava boleros e sambas-canções. “A voz adorável de Clara Nunes” não fez tanto sucesso, estava quase desistindo, pois queria cantar samba e o ritmo estava sem prestígio nesta época. Procurou o produtor Adelson Alves e buscaram as raízes do samba nos morros do Rio, da Bahia, de Minas e África. Em 1968, gravou “Você passa e eu acho graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, que foi seu primeiro sucesso marcando sua definição pelo samba.
Somente nos anos de 1970, Clara firmou-se no samba; esta notoriedade mostrou-se com o grande sucesso do samba Conto de Areia, de Romildo e Toninho. Foi tão grande o sucesso que houve um recorde de venda, na época, rompendo o tabu de que “mulher não vende disco”, estimulando também outras gravadoras na busca de mulheres sambistas como Alcione e Beth Carvalho, entre outras.
Após este grande sucesso Clara Nunes foi definitivamente reconhecida e, a cada dia mais, as músicas que gravava tornavam-se grandes sucessos, escrevendo, assim, sua página na história do samba.
Em 1982, Clara Nunes deu o seguinte depoimento: “Eu tenho a grande missão de cantar. Eu acho que todas as pessoas têm uma missão; a gente está aqui nesse mundo, ninguém está passeando ou passando férias, está todo mundo aqui cumprindo um compromisso já assumido em outras vidas, eu entendo assim.”
Clara Nunes foi realmente uma guerreira, como todos a chamavam, pois vários compositores do Brasil, desde o morro até o sertão, tiveram a oportunidade de ouvir seus trabalhos interpretados por uma cantora de voz cristalina, aveludada e versátil, tendo com isso o seu reconhecimento.
Clara Nunes e a Portela: "Portela, eu nunca vi coisa mais bela..." Em 1971, Clara Nunes puxou na avenida o samba-enredo da Portela, ao lado de Silvinho. A partir daí, passou a vestir a camisa da escola e era constante sua presença na quadra.
Em homenagem à sua escola de coração, Clara gravou "Portela na Avenida" até hoje conhecida como um hino de amor à grande escola carioca.
Em homenagem à Clara, após um abaixo-assinado, a rua onde fica a quadra da agremiação, antes Rua Arruda Câmara, passou a chamar-se Clara Nunes.
G.R.E.S. PORTELA
Rua Clara Nunes, nº 81
Madureira - Rio de Janeiro/RJ
Após 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante a intervenção cirúrgica de varizes, o Brasil perde, em 02 de abril de 1983, a grande e inesquecível sambista Clara Nunes.
http://associacaoclaranunes.ubbiho.com.br
Última atualização em Qui, 26 de Maio de 2011 23:07 Escrito por Administrator Sáb, 23 de Abril de 2011 22:07








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