Paulo Portela

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PAULO DA PORTELA
(Paulo Benjamim de Oliveira)

paulo_portela  Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1901, filho de Joana Baptista da Conceição e Mário Benjamin de Oliveira, que mais tarde abandonaria a mulher e os três filhos. Passou a infância no bairro da Saúde, criado pela mãe, juntamente um irmão mais velho e uma irmã mais nova. O pai sempre foi figura ausente, uma incógnita na vida de Paulo.

 Paulo teve apenas instrução primária. Começou a trabalhar bem cedo em uma pensão, para ajudar a família. Também entregava marmitas em domicílio. Mais tarde, passou a trabalhar como lustrador de móveis.

 Em 1920, a família mudou-se para Osvaldo Cruz, indo morar numa casinha de vila, que hoje corresponde ao número 338, da Estrada da Portela. Nessa época, iniciou suas atividades carnavalescas, no Bloco Moreninhas de Bangu, e começou também a freqüentar rodas de samba.

 Fundou, no início da década de 1920 "Ouro Sobre Azul", o primeiro bloco de Osvaldo Cruz, mais no estilo dos ranchos do que do samba. Foi na casa de seu Napoleão (pai de Natal da Portela), um dos grandes festeiros do bairro, que começou a conviver com sambistas “de peso”, como Ismael Silva, Baiaco, Brancura, Aurélio, trazidos do Estácio.

Mais tarde, passou a freqüentar as festas de D. Esther Maria Rodrigues, organizadora do bloco "Quem Fala de Nós Come Mosca", que recebia tanto pessoas do bairro como também da alta sociedade, e ainda artistas como Pixinguinha, Cartola, Roberto Silva, Augusto Calheiros, Donga, Gilberto Alves, entre outros.

Em 1922, fundou o bloco "Baianinhas de Oswaldo Cruz", ao lado dos companheiros Antônio Rufino dos Reis e Antônio da Silva Caetano, futuros fundadores da Portela. Vem dessa época o nome artístico Paulo da Portela (referência à Estrada do Portela), para diferenciá-lo de um outro sambista, do bairro de Bento Ribeiro, vizinho ao bairro de Oswaldo Cruz.

Em 11 de abril de 1923, surgiu o Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de Osvaldo Cruz. A participação pública de Paulo da Portela logo fez dele um líder considerado por alguns jornalistas, que nele via despontar uma estrela do proletariado. Esta é considerada a data de fundaç

A Portela apresentou-se pela primeira vez, no carnaval de 1930, com o nome “Quem Nos Faz É O Capricho”. A partir de 1931, desfilou com o nome de “Vai Como Pode”. E, em 1935, a “Vai Como Pode” ganhou o desfile das escolas de samba com o enredo “O samba dominando o mundo", de sua autoria. No mesmo ano, em 01 de março de 1935, a escola passou a chamar-se “G.R.E.S. Portela”, e Paulo da Portela foi eleito pelo voto popular como o maior compositor das escolas de samba, num concurso promovido pelo jornal "A Nação". No ano seguinte, foi eleito "Cidadão-Momo" e, em 1937, "Cidadão-Samba".  

De dezembro de 1937 a janeiro de 1938, participou da Embaixada do Samba, grupo que viajou em turnê de shows no Uruguai. Ainda em 1938, participou da Embaixada da Favela que, chefiada por Francisco Alves, fez apresentações em São Paulo.

Compôs "Teste ao samba", com o qual a Portela foi campeã em 1939, apontado como o primeiro samba-enredo. No ano de 1940, criou o programa "A voz do morro", na Rádio Cruzeiro do Sul, junto com Cartola, no qual apresentavam sambas inéditos.

Em 1941, após um desentendimento em pleno desfile, Paulo rope relações com sua querida Portela, logo após a escola vencer mais um carnaval com um samba de sua autoria. Paulo deixou com grande tristeza a escola que fundou, e sua mágoa ficou registrada no seu samba "O meu nome já caiu no esquecimento".


"O meu nome já caiu no esquecimento
O meu nome não interessa a mais ninguém
E o tempo foi passando, a velhice vem chegando
Já me olham com desdém

Ai quanta saudade do passado
Que se vai lá no além

Chora cavaquinho chora, chora violão também
O Paulo no esquecimento não interessa a mais ninguém
Chora Portela, minha Portela querida
Eu que te fundei, serás minha toda a vida"

Em 31 de janeiro de 1949, contrariando seus versos, o Rio de Janeiro parou. A poucas semanas do carnaval, Paulo da Portela morria com 47 anos, vítima de um ataque cardíaco.
O comércio do bairro de Madureira fechou e mais de 15 mil pessoas foram em luto se despedir do poeta, caminhando de sua casa, no subúrbio de Oswaldo Cruze cantando seus sambas até o cemitério de Irajá.

Fontes:
Sites:www.samba-choro.com.br
www.cliquemusic.com.br

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